A Infância que se faz sempre presente

“Criança interior”

“Criança interior” é uma metáfora muito utilizada atualmente para falar sobre algo amplamente discutido e estudado na Psicologia: o quanto a infância pode continuar influenciando nossa vida adulta?

Sei que pode parecer chato, desnecessário ou até inadequado, para algumas pessoas, voltar à infância quando os problemas que precisam ser solucionados estão acontecendo agora.

Não existe, de maneira literal, uma criança vivendo no presente. O que pode permanecer são necessidades emocionais, sentimentos e maneiras de agir que foram construídos na infância, período em que éramos completamente dependentes do outro.

Pense, por exemplo, em uma situação vivida na infância em que um adulto importante não conseguiu atender às suas necessidades como deveria. Ele pode ter diminuído uma conquista sua, ter sido indiferente a algo que era importante para você, ter feito com que você temesse perder o seu amor, ter feito ameaças ou críticas — enfim, há inúmeros cenários possíveis.

Agora, pense nessa situação com um desfecho diferente, em que esse adulto conseguiu cumprir seu papel: tratou você com respeito, ouviu, orientou, transmitiu segurança e acolhimento. Como seria?

O que ocorreu não pode ser modificado. No entanto, podemos analisar, avaliar e compreender de que maneira essas experiências contribuíram para a forma como interpretamos as situações, nos relacionamos e respondemos emocionalmente ao que acontece na atualidade.

Ao longo da vida, desenvolvemos estratégias para enfrentar situações difíceis. Podemos evitar determinadas situações, buscar aprovação, apresentar dificuldades para impor limites, permanecer na defensiva, agir de maneira agressiva ou nos distanciar emocionalmente, por exemplo.

Nesse sentido, pensar e reavaliar a infância pode ser necessário para que o passado deixe de conduzir o presente.

Na psicoterapia, essa jornada deixa de ser solitária e encontra um ambiente acolhedor e sem julgamentos, para que cada pessoa possa compreender sua própria história e encontrar a SUA maneira de enfrentar o presente.